Como o Coach em Resiliência trabalha a Aprendizagem de seu cliente?

Ao longo desse período em que tenho escrito sobre o Coaching em Resiliência (CR), eu sempre procurei apresentar um lado mais prático do coaching. A ideia é apresentar ao nosso leitor o quanto o CR é pragmático e útil na mudança de mentalidade e comportamento.

No entanto, hoje eu quero trazer um conteúdo mais teórico.

Posto isso, vou rapidamente discorrer um pouco sobre as bases que estruturam como se dá a aprendizagem no Coaching em Resiliência. Essa argumentação é essencial para nós Coaches, pois ela nos ancora sobre como acontece a aprendizagem no CR. O que conhecemos como ressignificação.

Vou apresentar algumas afirmações – pressupostos teóricos -, que considero como princípios.

O processo de aprender, em todos nós, provém da capacidade de elaborar integrações altamente significativas entre nossos diferentes pensamentos, em um nível mais superficial. E integrações entre nossas crenças, em um nível mais profundo.

Entendo que no CR trabalhamos mais com os pensamentos automáticos que temos e não propriamente com as crenças básicas. Em algumas situações podemos alcançar uma crença mais enraizada. Desse modo, poucas vezes atingimos as crenças profundas. Sabemos que essas são acessadas quando nos aplicamos a um processo de psicoterapia.

Em todas as metodologias de coaching ficamos mais com os pensamentos que permeiam a superfície -, os automáticos. No Coaching em Resiliência não é diferente!

Embora estejamos cientes de que se trata de um processo que trabalha em um nível pouco profundo, não nos enganamos, os resultados são altamente impactantes.

A elaboração de integrações se dá não somente nos pensamentos, mas também nas emoções, nos sentimentos e nos juízos de valores que organizamos. É um processo que seus resultados estão sempre voltados para o progresso, o amadurecimento da pessoa e suas potencialidades.

Os resultados obtidos, quase sempre produzem uma sensação de engrandecimento, bem-estar, disposição para novos degraus. O cliente sente em si próprio a mudança que acontece em seu corpo/mente.

Essa forma de aprender é delineada por David Ausubel quando explica como se dão os processos cognitivos da aprendizagem. Eu vejo extremamente útil a compreensão de Ausubel quanto ao processamento cognitivo de aprender. O nosso “ressignificar”.

Ele a chamou de abordagem da Aprendizagem Significativa.

De modo simplificado pode-se dizer que ser curioso para o conhecimento (e, todos nós somos) faz com que, a cada vez que sentimos curiosidade para conhecer mais, busquemos algum conhecimento anterior que provém novos conhecimentos (percepções / insights) que são tidos como alicerces para nós e sobre eles vamos construindo nossa sabedoria.

A esse tipo de conhecimento anterior Ausubel chamou de organizadores expositivos.

Quando há interesse de ser curioso para o sentido das experiências da vida se defronta com algo que nos é já conhecido, busca-se fazer comparações de todo o tipo para se fazer a ponte da aprendizagem.

Sei que um bom coach aqui irá favorecer que seu cliente faça as comparações entre distintas emoções, sentimentos e memórias para que haja a integração do conhecimento antigo com o novo.

O coach experiente ao trabalhar com essa perspectiva, sabe que, primeiramente, pode lidar com a aprendizagem significativa do tipo subordinada. Isso quer dizer que, durante o processo de coaching ou mesmo durante uma sessão em particular, um conhecimento está sendo produzido devido ao fato de as informações trabalhadas estarem se subordinando a um conhecimento anterior que o cliente possui. Uma cognição se assenta à uma outra produzindo expansão do pensamento e da visão.

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Outra clareza que o coach deve ter é de que pode trabalhar com a aprendizagem significativa do tipo SUPERORDENCAÇÃO.
Essa aprendizagem faz com que um novo conhecimento adquirido pelo cliente seja reconhecido como mais amplo que o conhecimento que já possui.

Essa é uma aprendizagem mais trabalhosa. Todos os coaches em resiliência percebem bem aquilo que Ausubel escreveu -; é muito mais fácil se trabalhar na aprendizagem de unir um conhecimento que o cliente vai organizando para se subordinar a outro conhecimento já apreendido, do que investir que um novo saber conquistado seja percebido como mais extenso que o saber já assimilado.

Sim, é verdade! Mas também é uma rica possibilidade para atuarmos.

Há ainda uma terceira estrada que podemos percorrer no processo do CR. É trabalharmos na aprendizagem do tipo COMBINATÓRIA.
Esta alternativa ocorre quando o cliente identifica que seu novo pensamento não é maior nem menor que seus saberes anteriores. O que ocorreu foi uma relação lógica que lhe favoreceu ter mais nexo ou entendimento.

Esse tipo de aprendizagem traz bastante conforto ao cliente. É um sinal de que as coisas estão como deveriam estar. É reconfortante.

Então, certos conhecimentos anteriores de nosso cliente são fundamentais para o processo de coaching. Essas convicções são operantes no sentido de promover novos significados aos novos conhecimentos adquiridos.

Esses ganhos não ficam apenas no plano cognitivo. É a mente com o corpo, ou o corpo com a mente em uma “unidade”.

Tudo isso é possível quando acreditamos que nossos clientes, são os verdadeiros responsáveis pelas aquisições que acontecem ao longo do processo.
Com tudo isso, são absolutamente respeitados em seus saberes. Ele detém o todo do caminho para se chegar às suas soluções.

Tendo todo esse esclarecimento sobre aprendizagem, quem sabe em sua próxima sessão, sem mencionar você irá notar que seu processo de aquisições se torna incrível quando um novo conhecimento se conecta com um desses conceitos antigos e poderosos, propiciando uma aprendizagem significativa do tipo subordinada em você.

Concluo dizendo que o Coaching em Resiliência me encanta. Ao ser elemento integrante desse processo educacional sinto-me realizado ao praticá-lo. Identifico que sou reconhecido pelos resultados dessa maravilhosa jornada, o coaching. Percebo-me útil e participante ativo na mudança do modo de pensar (mentalidade) ou do comportamento de meus clientes.

Envie suas contribuições sobre a aprendizagem no Coaching. Eu ficarei feliz em estuda-las.

Fontes para consultas:
https://www.researchgate.net/

Christopher Peterson e Martin Seligman, Strenghts and Virtues, A Handbook and Classification
Ausubel, D., Educational Psychology: A Cognitive View, Holt, Rinehart & Winston, (New York), 1968.

Sobre quem escreveu esse artigo:
Coach em Resiliência, MENTOR-COACH, PCC | Conheça meu site!
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2018-03-12T21:11:52+00:00

3 Comments

  1. beni 8 de agosto de 2016 at 02:52 - Reply

    Olá Dr. George! Percebe-se a sua paixão pelo CR, ela está presente em cada artigo… Também acredito que paixão, na vida ou no que se faz, é fundamental. Excelente artigo. Parabéns!

  2. […] Ao cultivar esta habilidade mantemos a lucidez, coerência e eficácia em todo o processo, a(o) Coach não se coloca no comando, mas segue as escolhas daqueles que estão passando pelo processo de coaching. […]

  3. […] de um processo de coaching focado em resiliência, o cliente ao longo das sessões vai se redescobrindo quanto a forma de pensar. Dar ajuda e fortalecimento emocional é uma das mais ricas e bonitas recompensas da resiliência. […]

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