De que modo posso me preparar para ser um Coach profissional

De que modo posso me preparar para ser um Coach profissional

Ser um Coach profissional – Algumas pessoas precisam de um entendimento prévio para verificar as possibilidades e preparações de como ser um profissional de coaching.

Tudo aconteceu dentro de uma sala repleta com diferentes rostos. Olhares fixos e poucas pessoas se movimentando. Todos atentos e interessados nos diversos temas que se sucediam naquele congresso. Durante o intervalo, a mulher se aproximou e me cumprimentou.

Tinha cerca de 40 anos. Não muito alta e vestida de um jeito que logo imaginei-a uma executiva. Frases rápidas, gestos curtos e olhar sempre fixos.

Em poucos minutos foi diretamente aonde queria chegar.

Não era uma conversa empolada ou prolixa. Me agradeceu pela minha apresentação, disse que seu nome era Ártemis e falou que dentre as diversas apresentações que assistiu, ficou interessada em conhecer duas metodologias. Uma delas era aquela que eu havia descrito – O Coaching em Resiliência.

Me explicou que aos 40 anos, e, mais de duas décadas de experiência na gestão e liderança de pessoas, estava considerando fortemente fazer uma nova formação em sua trajetória profissional e era uma de coaching.

Queria deixar de ter o foco na gestão de resultados técnicos e se aprimorar em obter o máximo possível em resultados humanos na empresa que atuava. Já algum tempo que acreditava que melhores resultados na gestão das pessoas lhe traria maiores números na área técnica.

Perguntei-lhe se estava satisfeita com a fase profissional atual, ao que ela respondeu que sim. A ideia era mudar, porém, de forma inteligente. Se possível ampliando os ganhos pessoais e sua autonomia.

Procurei saber o que eram ganhos pessoais.

Falou-me que a vida dedicada a grandes empresas lhe tirou muito da bela e rica experiência de vivenciar as amizades que construiu na vida. Até mesmo a família ficou em segundo plano. Seus dois filhos cresceram e já estavam formados e ela sabia que não pôde ser inteira em muitos momentos.

Sempre teve que trabalhar demais, assumindo muita responsabilidade e ter o trabalho quase que uma primeira prioridade na vida.

Ainda perguntei exatamente o que era ter mais autonomia, tendo em vista que quase sempre esteve na liderança de outros. Ela explicou que fez algumas ótimas amizades vindas da vida profissional, no entanto, queria viver um tempo que lhe permitisse preservar de forma próxima essa rede de contatos que conquistou. Já não bastava apenas conhecer bem as pessoas, a maturidade estava pedindo que “vivesse” tais pessoas. E para tanto, necessitava de uma vida profissional que lhe permitisse essa gestão do tempo.

Foi então que lhe perguntei o que havia chamado sua atenção na apresentação do Coaching em Resiliência.

Ela sorriu meio de lado, balançou a cabeça e, bem devagar me falou:

Eu estou buscando algo com significado e vi que está metodologia é um Coaching com significado. E emendou: Seguindo o raciocínio do que você falou, como eu, que sou gestora técnica, me preparo para ser um Coach profissional?

Eu ponderei que, na minha perspectiva, deveria haver uma “preparação” não somente para o Coaching em Resiliência, mas para qualquer outra metodologia. Ressaltei que o maior número de pessoas que buscam ser um Coach – qualquer que seja – e não atuam como Coaches profissionais, são aquelas pessoas que não realizaram uma preparação para esse momento.

Por exemplo, desenvolver uma rotina de bons hábitos. Um Coach necessita ter uma vida de hábitos saudáveis. Tais hábitos lhe ajudam a ter disposição, bom-humor, memória aguçada, rapidez de raciocínio e dinamismo.

E continuei – um desses hábitos é se organizar para se deitar no máximo às 23:30. No outro dia de manhã a disposição sempre estará aguardando-a.

Outro bom hábito é, aceitar que, se acordar, irá ter um período calmo consigo mesma. Irá levantar, fazer um xixi, as vezes um chá e voltar para uma condição de mente calma. Deixar a mente se acostumar com o momento calmo e não com o terror noturno. Ainda, se acordar antes do horário previsto pela manhã, decidir rapidamente qual será a atividade que irá colocar em ação, como: ler o livro que está na cabeceira, ouvir música que goste ou praticar alguma atividade física.

A mente vai agradecer e na hora de levantar o cansaço será menor.

Ártemis riu com gosto e exclamou: Áh, sim, essa é a preparação para alguém que quer ser coach?

Eu disse, sim! É a preparação inicial para si mesma.

Lógico, para mim também! Se uma pessoa não consegue estabelecer uma rotina simples e saudável como esta, em sua própria vida, como irá estar em condições de ser algo bom na vida de outros? Se ela cultivar esses procedimentos com fidelidade e tranquilidade, concorda que será uma pessoa habilitada para desenvolver hábitos mais exigentes dentro da vida profissional de Coach? Me refiro, a organizar seu material de trabalho previamente, fazer registros de seus atendimentos ou estruturar sua disciplina de marketing para trazer novos clientes.

Somente profissionais com bons hábitos conseguem dar conta desses aspectos na profissão. Ser um profissional de coaching não é só aparecer na hora para realizar a sessão! Há toda uma rotina envolvida na arte de ser coach.

Entendo, ela ponderou. Mas ainda não é tempo para eu trabalhar como uma coach. Somente daqui uns três anos.

Então, expliquei a ela que a metodologia aprendida dentro da formação do Coaching em Resiliência pode ajudar não só quem busca atuar como coach, como também pode ser útil dentro da gestão de pessoas. Continuei a conversa falando sobre a busca de capacitação para a gestão de outras pessoas. Uma pessoa que faz a gestão de outros, necessita desenvolver habilidades como estar presente de modo genuíno em uma conversa. Saber escutar mesmo o que não foi falado. E a preparação na formação de Coaching dará esse treino de forma exaustiva.

Sobre essa habilidade ou exigência no gestor de pessoa eu diria que uma boa disciplina que o Coaching em Resiliência oferece seria um autoconhecimento nessa área.

Olha aqui uns bons itens para considerar (ou pensar nas madrugadas acordada – ela riu!!!): Praticar nos próximos seis meses a regra 60/40. E depois de seis meses ampliar para 70/30.

Ártemis ria de novo e disse: Você está zoando comigo.

Eu respondi – de jeito nenhum. Estou falando da disciplina de, quando estiver fazendo a gestão de pessoas, escutar 60% na conversação e falar apenas 40%. E depois de seis meses subir para 70% de escuta e somente 30% de fala. Essa preparação e aprendizado irá desenvolver no Gestor uma habilidade incrível muito presente na atuação do Coach. Irá ouvir até aquilo que o dedinho da mão esquerda falou.

Ela ria!

E complementei – Também treinamos e muito o autoconhecimento. Por exemplo: Perceber em si mesma em que momento você, como gestora, amanhã como Coach, tende a interromper as pessoas! Qual o gatilho que lhe aciona quando as pessoas reagem emocionalmente? Quando é mais fácil para você escutar as pessoas que vêm até você?

Outro conhecimento riquíssimo a se treinar é saber, quando as pessoas vêm até você para falar sua propensão é de? Você se distrai ao estar escutando outra pessoa ao …? Como você se sente em uma situação na qual não deve afirmar o que pensa? – porque essa é a condição para ser um Coach profissional bom.

Ele não afirma, sabe colocar seus pensamentos por meios de perguntas!

Concluí para Ártemis – são essas peculiaridades que eu me referia em minha apresentação. E creio, como você mencionou, elas tornam o Coaching em Resiliência um processo com significado.

O papo continuou por mais uns dez minutos e resolvemos voltar ao auditório porque já havíamos perdido a palestra que ocorreu nesse tempo em que estivemos conversando.

Eu trouxe essa conversa aqui porque ela consolidou a clareza que eu tenho sobre o quanto a formação no Coaching em Resiliência é riquíssima para desenvolver em nós que fazemos a gestão de pessoas no âmbito profissional, habilidades e competências preciosas no desempenho dessa função.

Eu mesmo que também faço a gestão de várias demandas de outros, sigo-as e as pratico disciplinadamente.

No ano de 2015 eu estava em um outro congresso de coaching na cidade de Kansas (USA) e assisti a uma sessão de coaching na qual uma colega atuava e uma outra era a cliente. Embora fosse uma apresentação, o tema da sessão era real. Acreditem, ficamos todos no auditório, perplexos, porque a colega desenrolou a sessão com apenas oito perguntas.

Incrível, apenas oito perguntas e já foi para o encerramento. Essa é a essência do trabalho de um Coach, saber fazer perguntas estratégicas e instigantes que levam o(a) cliente a construir seus novos caminhos!

A colega que era cliente brilhava nos olhos. Havia tido a elucidação de seu tema de forma satisfatória. E eu? Bem, eu fiquei lá pensando comigo: Um dia vou chegar a 80/20!!!

Deixe o seu comentário, eu sempre cresço e me desenvolvo com o retorno de vocês.

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Prof. George Barbosa

Graduação em Pedagogia, em Psicologia, Mestrado, Doutorado com ênfase em Psicossomática na PUC de São Paulo. Diretor Científico e Membro pesquisador da Sociedade Brasileira de Resiliência (SOBRARE) e professor da Fundação Vanzolini (USP) e facilitador do Núcleo de Estudos em resiliência da Assoc. Bras. de Recursos Humanos (ABRH-SP). Coach certificado nas modalidades de Coaching Cognitivo de vida, Neurocoaching, Coaching Ontológico e organizador do Coaching em Resiliência (CCR). Associado PCC, MENTOR COAH e Conselheiro na Diretoria da International Coach Federation (ICF) – Capítulo Brasil, Acreditado na International Society for Coaching Psychology – MISCP e ao National Wellness Institute (NWI) e Pós-doutorando em Coaching Psychology e Resiliência (UNIRIO).

Comments

  1. Gláucia Oliveira: julho 19, 2017 at 10:24 am

    Olá, Excelente texto parabéns!

  2. Obrigada, muito inspirador! Parabéns pelo trabalho!

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