Aprendendo a superar o hábito de deduzir no Coaching em Resiliência

Aprendendo a superar o hábito de deduzir no Coaching em Resiliência

Pessoas de diferentes hábitos, perfis e personalidades tiveram influência ou enorme impacto em minha vida. Tanto a pessoal como a profissional.

São pessoas que, mesmo não sendo da minha família, passaram, ou ainda estão em minha vida e, sem eu dar conta, foram moldando-me naquilo que eu sou hoje.

Tive um professor na 5ª série (Profº Molina) que até hoje me lembro dele. Ensinou-me como é agradável e prazeroso o aprender.

Com meus irmãos aprendi a viver em família e a gostar de futebol. Jogar uma pelada de conga ou kichute, não tinha preço.

Houve uma menina, nós devíamos ter uns 14 anos. Ela possibilitou que eu viesse, pela primeira vez, me apaixonar. Ela nunca me notou!

Dois colegas, já aos 18 – um pouco tarde, hoje eu vejo, me ensinaram a perceber e, realmente, ouvir uma mulher.

Aos 24 tive a amizade com o Israel, o Darci e o Feijó. Com eles fui impactado pela Filosofia. Foi lá que eu aglutinei a influência do profº Molina com a beleza da filosofia grega, a romana e os grandes nomes da Idade Média.

Meu pai veio dar-me a honestidade e singeleza de coração. Minha mãe a luta para vencer na vida.

A Gi, uma amiga, me ensinou que é bom quando a gente “resolve as coisas de um jeito bom”. Sem nós sabermos, ela, já naquela época, estava me falando sobre resiliência.

Amigos como o Carlos, o João, a Sueli, vieram somar. Cada um acrescentando algo à minha pessoa.

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Desse povo todo eu posso dizer que aprendi algumas lições que aplico na vida.

Acabei com o hábito de me ver preocupado. Sei que a morte, um dia, é certa. Então, para quê viver preocupado com as coisas que podem me consumir? Aprendi a não me afligir com pouca coisa. Aliás, como moro e vivo em São Paulo, sempre marco um horário, assim: Estarei aí entre 09h00 e 09h20. Passei a utilizar a lei das probabilidades em vez das deduções para eliminar expectativas e preocupações.

Aprendi, com todos os modelos de vida que tive, a manter-me ocupado. Cooperar com o imponderado e não resistir a ele. Também que é saudável tomar a decisão de quanto de ansiedade uma situação merece e a recusar-me dar-lhe mais que eu decidi.

Entendi que não faz bem ficar preocupado com meu passado. Já fiz, pronto! Agora vou lidar com as consequências.

A cultivar uma atitude mental que me promova paz interior. Daí ocupar minha mente com pensamentos otimistas, de coragem, relacionados com a saúde e me alimentar de esperança.

Estou no caminho de não me dedicar a vingar-me de ninguém. Também de não matar as pessoas em meu interior. Aprendendo a lidar com a ingratidão e a frustração. Isso não tem sido fácil!

Aprendi a celebrar as graças e não dar trela para os problemas.

Desde cedo aprendi a não copiar, plagiar outros. Já fui plagiado e sei o quanto é ruim. Dessa forma, menciono a fonte. Isso deu credibilidade em meus textos e projetos – quando não conheço ou não sei, eu tiro proveito dessas limitações; corro atrás das fontes!

Aprendi a viver um dia de cada vez. Hoje eu preparo a terra e lanço a minha semente para, se possível, amanhã colher algum fruto. Em geral, há uma colheita; porém, de vez em quando uma seca impede de germinar e assim vou para as outras sementes.

Tanto nos negócios como na família, quando o ruim acontece aprendi a me perguntar: Há algo pior que possa vir? Costumo partir dessa resposta na busca de soluções e sei que aqui estou vivenciando meu conceito de Análise de Contexto.

Na minha trajetória clínica e em meu consultório tanto a Dra. Mathilde – minha orientadora de Mestrado, como o Dr. Esdras – meu orientador de doutorado, apuraram o prazer de estar envolvido na arte de fazer ciência.

Depois, na minha atuação como Coach, vieram Dr. Freeman e Dr. Goldvarg que me disseram: Reúna todos os fatos que seu cliente está dizendo no verbal e em seu não-verbal.

Faça uma ponderação e tome suas decisões de como perguntar. Mas, aja! Coach que sugere e não pergunta, é fraco.

Aprendi a fazer registros de todas os meus atendimentos, ouvir várias gravações de minhas próprias atuações. Perguntar qual é o problema que sucinta o problema? De como eu, ou meu cliente, identificamos as causas de seus dilemas? E não apenas pensar em soluções, mas sim, em quais são as MELHORES soluções do próprio cliente.

Como sou uma pessoa bastante pública, aprendi a olhar o que de bom as críticas podem me ensinar em termos de inovações ou de reconhecimento. Sim, eu já fui criticado por ser metódico e atento ao detalhe. No entanto, são características como essas que me permitem fazer ciência baseado em evidências. Já basta eu mesmo fazendo críticas a mim.

Aprendi a, sempre que puder, ficar largado procurando me relaxar e descansar. Aprecio, sempre que possível, o ócio. Em algumas vezes, procuro torna-lo criativo como nos ensina o De Masi.

Com todos esses meus exemplos de vida e mentores aprendi a cuidar da saúde e aparência. Não sei andar descuidado. Como um Coach cuidadoso aprendi a buscar ter meus materiais e local de trabalho organizados. Trabalhar com base nas prioridades das tarefas e a não postergar decisões ou ações. Isso me torna fortalecido contra a ansiedade e as preocupações.

Tenho aprendido a dividir minhas tarefas e a delegar. Já sei que não é fácil – mas tem sido um desafio em meu perfil de gestor.

Vejo a gratidão e reconhecimento por essas pessoas em minha vida pessoal e profissional. Como me enriqueceram como pessoa! Como me desenvolveram como profissional!

Penso que, por isso, na maior parte do tempo (não é sempre!!!), aprendi a trabalhar com te…, digo entusiasmo! Quando perco o sono por uma dessas preocupações, ao invés de ficar horas supondo, pensando, refletindo, me martirizando, aprendi a colocar meu fone de ouvido e ficar ouvindo Ravel. A noite mal dormida fica mais fácil de ser vivida.

Por fim, algo extremamente importante que me ensinaram: Não faça adivinhações ou deduções em suas pesquisas ou atuando como Coach.

Como psicólogo e pesquisador nas várias áreas da resiliência aprendi a criar hipóteses robustas que podem ser testadas. Como profissional do coaching, aprendi que o mais impactante é saber fazer perguntas instigantes.

E na vida?

Na vida, a ser alguém que ama aprender. Isso é poderoso!

Para ilustrar essas aprendizagens de não ficar fazendo suposições, deduções e lendo a mente dos outros, trago um texto do Luis Fernando Verissimo, que um desses amigos (o Cesar) me enviou:

“Existem dois tipos de loucos. O louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra.
Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. [É o meu caso!!] Se não era louco, ficou.

Durante quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal.

O melhor da terapia é chegar antes, alguns minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera.

Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco.

Ninguém olha para ninguém. O silêncio é uma loucura. E eu, como escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses.

Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo. E a sala de espera de um “consultório médico”, como diz a atendente absolutamente normal (apenas uma pessoa normal lê tanto Paulo Coelho como ela), é um prato cheio para um louco escritor como eu.
Senão, vejamos: Na última quarta-feira, estávamos: Eu; um moreninho muito bem vestido, um senhor de uns cinquenta anos e uma velha gorda.

Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles.
Não foi difícil, porque eu já partia do princípio que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados.

O moreninho, por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até aquela poltrona de vime. Deve gostar de uma branca, e os pais dela não aprovam o namoro e não conseguiu entrar como sócio do “Harmonia do Samba “? Notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele.

Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro. Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro. Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.

E o senhor de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos?

Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa! E manso.

Corno manso sempre tem tiques. Já notaram?

Observo as mãos.

Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver.

Filho drogado?

Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem.

Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente, interrompendo o Paulo Coelho da outra.

Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas.

Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido!

Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos.

Será que se masturbaria? Será que era esse o problema dela? Uma velha masturbadora?

Não! Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava na quinta dezena em dez minutos.

Tensa. Coitada. O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas e dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse.

Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista. Conto para ele a minha “viagem” na sala de espera.

Ele ri… Ri muito, o meu psicanalista, e diz: – O Ditinho é o nosso office-boy.
– O de terno preto é representante de um laboratório multinacional de remédios lá no Ipiranga e passa aqui uma vez por mês com as novidades.
– E a gordinha é a Dona Dirce, a minha mãe.
– “E você? Você não vai ter alta tão cedo ….”

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Prof. George Barbosa

Graduação em Pedagogia, em Psicologia, Mestrado, Doutorado com ênfase em Psicossomática na PUC de São Paulo. Diretor Científico e Membro pesquisador da Sociedade Brasileira de Resiliência (SOBRARE) e professor da Fundação Vanzolini (USP) e facilitador do Núcleo de Estudos em resiliência da Assoc. Bras. de Recursos Humanos (ABRH-SP). Coach certificado nas modalidades de Coaching Cognitivo de vida, Neurocoaching, Coaching Ontológico e organizador do Coaching em Resiliência (CCR). Associado PCC, MENTOR COAH e Conselheiro na Diretoria da International Coach Federation (ICF) – Capítulo Brasil, Acreditado na International Society for Coaching Psychology – MISCP e ao National Wellness Institute (NWI) e Pós-doutorando em Coaching Psychology e Resiliência (UNIRIO).

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