O que é Inteligência Emocional? E por que não é resiliência!

“É com o coração que vê corretamente; o essencial é invisível aos olhos.” Antoine de Saint – Exupéry, O Pequeno Príncipe

O que é Inteligência Emocional? E como está relacionada a resiliência?

Confesso que essa é uma pergunta comum durante as turmas do Coaching em Resiliência. Muitas pessoas confundem os dois conceitos.

A discussão maior acontece entre psicólogos e consultores organizacionais. Principalmente pelos que estão iniciando a sua carreira em uma dessas duas áreas. Quando chega um cliente novo, por vezes, encontram dificuldades em distinguir ambos os temas ou se posicionar sobre a relação entre eles.

Há até quem acredita que a Inteligência Emocional é mãe da Resiliência. E há os que pensam o contrário, que é a partir da resiliência que se desenvolve a Inteligência Emocional. Entre nós no Brasil, ainda estamos na fase da leitura e compreensão de ambas.

E então.. o que é Inteligência Emocional e por que não é resiliência?

O que é Inteligência Emocional?

A Inteligência Emocional (IE), de acordo com Howard Gardner, o pai da IE, é a capacidade que o indivíduo tem de avaliar, perceber e se permitir em suas emoções e também as emoções do outro, de forma a gerenciar com equilíbrio e não agir impulsivamente diante da raiva, do medo, da sensação de felicidade, do amor, de expressões como, erguer as sobrancelhas.

Também não apresentando confusão no que quer transparecer como, por exemplo, expressões de repugnância e tristeza.

Em um colégio de Coral Springs, na Flórida, David Pologruto, professor de física do segundo grau, foi ferido por um de seus melhores alunos, com um objeto perfuro cortante na clavícula, enquanto estavam no laboratório de física. Não sabendo bem ao certo a causa que justificasse o ataque, o que se noticiou na época, é que o motivo se daria em torno de que David teria dado uma nota considerada baixa que comprometeria o sonho de Jason para entrar em uma faculdade de medicina em Harvard.

Jason fora absorvido ao ir a julgamento tendo justificado o seu comportamento, como quem não estava gozando de suas faculdades mentais, segundo a avaliação de quatro psicólogos e psiquiatras, os quais sob juramento atestaram que o aluno teria passado por um estado psicótico durante a briga com o professor, também sob a alegação de que o aluno teria ideações suicidas e estava sofrendo de insônia devido à nota recebida, quando foi procurar o professor.

Jason formou-se dois anos depois ao ser transferido para uma escola particular, num dos primeiros lugares da turma. Essa história é contata no livro “Inteligência Emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente” de Daniel Goleman.

A partir de então, passou-se a se questionar como alguém de inteligência tão evidente pode agir de forma considerada irracional.

É ai que está o x da questão! O que é inteligência emocional nada tem a ver com a inteligência acadêmica, ou com o QI desta pessoa.

Cabe aqui também ressaltar, a diferença da inteligência positiva, segundo Shirzad Chamine em sua literatura Inteligência Positiva:

“A inteligência Positiva mede a força relativa desses dois modos da sua mente. Uma Inteligência Positiva Alta significa que sua mente age como sua amiga bem mais do que sua inimiga. Portanto, a Inteligência Positiva é uma indicação do controle que você tem sobre sua própria mente e o quão bem sua mente age em seu próprio benefício. Deveria ser relativamente fácil ver como seu nível de Inteligência Positiva determina o quanto de seu verdadeiro potencial você realmente alcança”.

Um pouco sobre resiliência

De acordo com estudos levantados por meio do Coach Eduardo Braga, certificado pela Escola de Coaching em Resiliência, no ser humano a Resiliência pode ser entendida como a capacidade interior, a habilidade desenvolvida a partir das principais crenças que norteiam o pensamento e, por consequência, o comportamento das pessoas.

Convém dizer que a Resiliência é comportamental! Quando falamos de resiliência nas pessoas não estamos falando de personalidade, mas de comportamento de enfrentamento. A partir daí, podemos dizer que estamos com a resiliência equilibrada ou afetada pelos desvios em nossas avaliações.

Na recente história da Resiliência, houve uma primeira e segunda geração que utilizaram o conceito relacionando-o a elasticidade de materiais sólidos. Foram utilizadas algumas metáforas como a ponte que balança, o bamboo, o silicone, o elástico, etc.

A terceira geração de pesquisadores se utilizou da Etimologia da Palavra: RE (Novamente) e SILIE (Saltar, estar impulsionado para um objetivo, um propósito).

Esta foi também a posição adotada pela perspectiva psicológica que nos ensina que a Resiliência não é apenas suportar a pressão (sentido passivo), mas encontrar estratégias e alternativas (ser um sujeito proativo) que o levará, após a adversidade, a um propósito maior – algum aspecto da sobrevivência humana.

Uma pessoa com a resiliência equilibrada é alguém capaz de agir com flexibilidade e pro atividade, desenvolvendo um comportamento resiliente estratégico, ao invés de simplesmente reagir diante dos efeitos das mudanças.

A Resiliência, portanto, pode estar ligada à flexibilidade, a recuperação de traumas e adversidades, ao crescimento e fortalecimento diante do contexto de mudança ou como novo estágio de um desenvolvimento estratégico.

Inteligência Emocional vs Resiliência

Portanto a diferença existente entre o que é inteligência emocional e a resiliência, é que a inteligência emocional diante de uma situação de elevado estresse, tem a capacidade de dar conta do ponto de vista da emoção, o que pode provocar o esgotamento e consequentemente gerando a angústia.

É quando pode entrar em ação, uma vez desenvolvida. A resiliência encontrando meios e formas estratégicas de gerenciar as emoções, definindo a intensidade necessária de energia que deverá ser empregada em cada situação, dessa forma, acatando ou atacando a situação de acordo com a necessidade do momento, suportando os efeitos do estresse elevado de forma a sair ainda mais forte e estratégico da situação.

Então, a pessoa na condição de resiliência desenvolvida com equilíbrio e a flexibilidade das suas emoções, não quer dizer que seja resiliente e sim que está resiliente.

Em cada situação e fase de sua vida, não significa que ela terá a capacidade e encontrará a mesma flexibilidade de forma estratégica para gerenciar as emoções, podendo assim encontrar também na resiliência, diferentes formas de superar e enfrentar as diversas situações de adversidade e de conflitos e também de superar as mesmas situações que ela poderá vivenciar em seu contexto social em que se está inserida.

Colaboração na autoria:
Arlete Lima e Paula Assis

Sobre quem escreveu esse artigo:
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2018-09-05T18:51:35+00:00

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