Os ganhos de se trabalhar com a Atribuição de Significado na resiliência

Os ganhos de se trabalhar com a Atribuição de Significado na resiliência

A Abordagem Resiliente (Barbosa, 2011) é a teoria que a Sociedade Brasileira de Resiliência recorre para embasar os conceitos quanto a resiliência.

A partir desse referencial entendemos que resiliência é a capacidade de alguém cultivar o pensar estrategicamente, novas possibilidades e novos comportamentos, relacionados ao enfrentamento de desafios e situações envolvidas pelo stress, visando a superação.

A partir dessa definição podemos compreender a resiliência como a gênese de uma tomada de decisão em favor da vida. Quando essas tomadas de decisões ocorrem por mais de uma vez, elas estruturam um conjunto de decisões que empoderam a pessoa e a capacita para efetivar um enfrentamento estratégico de stress de elevado impacto, – como o rompimento de vínculos nucleares, uma doença oncológica ou um desemprego inesperado.

Esse empoderamento nasce da combinação e encontro das oitos áreas que constituem a resiliência: A Análise de contexto; o Autocontrole; o Conquistar e Manter pessoas; a Empatia; a Leitura corporal; o Otimismo para com a vida e o Sentido de vida (Barbosa, 2010).

Tais áreas foram extraídas dos conjuntos de crenças que permeiam a literatura relacionada com a resiliência (Barbosa, 2006), e foram organizadas, como Modelos de Crenças que Determinam (MCDs) o comportamento resiliente. São modelos de crenças que podem ser analisados e mensurados por meio da escala QUEST_Resiliência.

A escala assume que quanto maior for a congruência dentro de um MCD e maior a coerência entre os oito MCDS, maior será a probabilidade de haver flexibilidade no comportamento expresso e, consequentemente, maior abertura para a resiliência se instalar e se consolidar nas atitudes e comportamentos de enfrentamentos.

Portanto, o modo de como a resiliência se apresenta em alguém está relacionado de como a pessoa atribui seus significados em cada um dos seus modelos de crenças determinantes.

Atribuição de significado – Conceitual para a aplicação prática

Esse é um conceito que vem das terapias cognitivas, no qual, de acordo com a intensidade evidenciada por meio de um mapeamento, é possível se identificar em cada um dos MCDs tendências no Padrão Comportamental de enfrentamento ao stress.

Por vezes, são tendências voltadas para a submissão e tristeza (Passividade diante ao stress), também a tendência para o padrão de equilíbrio quanto as demandas provenientes do stress ou ainda temos a possibilidade de propensão de atacar com raiva (Intolerância diante do stress) as situações adversas.

O mapeamento identifica tais tendência e explicita-as como Condições de resiliência dentro de cada Padrão Comportamental.

Cada uma dessas três possibilidades no Padrão Comportamental, pode evidenciar em certo MCD as condições:

  • Condição de Fraca resiliência – Altamente comprometida pela exacerbação / submissão nas crenças.
  • A Condição de Moderada resiliência – acentuada exacerbação / submissão nas crenças.
  • A Condição de Boa resiliência – muita exacerbação / submissão nas crenças.
  • A Condição de Forte resiliência – leve exacerbação / submissão nas crenças
  • E, também, a possibilidade da Condição de Excelente resiliência – adequada gestão nas crenças quando do emprego da raiva e da tristeza no enfrentamento de situações adversas.

Fazendo que cada um dos MCDs tenham uma modulação específica na atribuição de significados.

Marcadores que norteiam a aplicação prática

Quando estamos promovendo treinos de pessoas que desejam promover resiliência em outras pessoas que não estão familiarizadas com as noções básicas de psicologia, identificamos dificuldades dessas pessoas em compreenderem, de modo rápido, as possibilidades de aplicações práticas de todo o referencial teórico.

Passamos a pesquisar possíveis estratégias de ações que necessariamente não iriam exigir maiores conhecimentos em psicologia da parte de um promotor de resiliência e, em 2015, chegamos ao conceito de marcadores que norteiam a aplicação prática.

Marcadores foram conceitos particulares, que encontramos no referencial teórico, que desbloqueiam fluxos de pensamentos e facilitam a ampliação da consciência em cada um dos MCDs.

Os Marcadores trazem em si o entendimento de que o investimento nas explorações em nossas intervenções, em um particular aspecto retirado do próprio referencial teórico, poderia, por meio de perguntas específicas, trazer à tona novas percepções e aprendizagem que caracterizassem mudanças na estrutura das crenças trabalhadas, em outras palavras, a ressignificação das crenças constituintes especificamente do MCD em pauta no processo de promoção da resiliência.

O Método utilizado na pesquisa de marcadores

A partir de 2015 organizamos uma pesquisa, e que foi realizada em um processo com 12 sessões para cada um dos clientes, visando a promoção da resiliência e que totalizou 264 horas de investigação.

A população dessa pesquisa foi constituída de clientes entre 20 e 56 anos de idade. Se compôs de sete (7) mulheres e cinco (5) homens.

A forma de realizar os processos de atendimentos foram: Seis (6) atendimentos na modalidade presencial, e, Seis outros na modalidade Tempo Real na WEB – Online

Na pesquisa recorremos à metodologia com o formato do que chamamos de MRPC – mensurar; relatar; promover e consolidar.

  • Mapeamento por meio da Escala QUEST_Resiliência
  • Relato e Esclarecimento e dos resultados obtidos
  • Promoção da ressignificação de cada um dos MCDs
  • Consolidação das percepções e aprendizagens por meio de marcadores que foram testados e de passos estruturados para a assimilação ou internalização dos resultados obtidos na sessão realizada.

Resultados

No desenvolvimento da pesquisa sobre como viabilizar marcadores para implementar a prática dos ganhos obtidos durante a ressignificação, nos foi possível observar a eficácia e eficiência para o desenvolvimento de maior ampliação dos pensamentos, dos favorecimentos de novas percepções e de facilitar a estruturação de passos objetivos e práticos para tais pessoas em cada um dos MCDs que estavam sendo trabalhados.

A eficácia estava em o promotor de resiliência, articular de forma hábil os marcadores, dentro de uma conversa exploratória, isto é, não livre ou espontânea, mas, permeada por perguntas que orientam as ampliações esperadas.

Conclusão

A utilização do recurso dos marcadores evidencia a promoção de maior número de questionamentos, reflexões e insights que viabilizam às pessoas colocar em curso a própria resiliência.

Em futuros Posts iremos comentar alguns dos marcadores para você ter maior conhecimento de quais são e de como podemos trabalhar com eles.

Até lá, convido você a conhecer mais sobre a Abordagem Resiliente.

Barbosa, GS. A aplicação e interpretação do conceito de resiliência em nossa teoria Congresso ISMA. 2011. http://www.sobrare.com.br/sobrare/publicacoes.php

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